domingo, 24 de junho de 2018

Os primeiros colonos de Moçâmedes e a problemática dos tranportes...


 

Subindo a Chela, no tempo do boi-cavalo e do dromedário comprado nas Canárias
A respeito da Chela, o Jornal de Mossâmedes de Junho de 1882 fez correr a seguinte notícia: " Na Chela foram roubadas as cargas no valor de 200$000 reis ao Sr Luiz Miguel Duarte d'Almeida,  e degolado o seu criado de confiança que os acompanhava, Os ladrões são do Jau". E tambem "na Chela  roubaram cargas pertencentes ao negociante sueco, o Sr, Erikson,  que de Capangombe se dirigia para a Humpata onde deviam ser depositadas em casa do colono boer  Sr Pitter, sócio do Sr Jordan, negociante inglês actualmente no interior.  O caminho desde a Pedra Grande até â Chele está perigoso para transeuntes que se vêem ameaçados de ataques por quadrilhas de salteadores do Jau e mondombes. 
 

 
Os "carregadores"eram na época, ainda o elemento essencial  no tranporte de mercadorias , e mesmo mais tarde,  se  exceptuarmos a linha férrea de Luanda a Cazengo, e a carreira fluvial do Quanza, de Luanda ao Dondo, feita com dois pequenos vapores. Em quase toda a Angola o comércio e a agricultura estavam à sob a dependência das caravanas de "carregadores" , situação problemática sobretudo em tempos de guerras gentílicas, conflitos com a autoridades, intervenção dos sobas que fechavam caminhos, proibiam o negócio nas suas terras, assaltavam, aprisionavam, saqueavam as comitivas estranhas e desviavam as correntes comerciais, etc. Em Angola, de entre os "carregadores" salientavam-se os  bangalas nos sertões de Luanda, os bienos e os bailundos nos sertões de Benguela e os mondombes, em Moçâmedes. Eles monopolizaram os transportes pelas vias comerciais que cruzavam os seus países, em detrimento de quaisquer outras comitivas, impunham-se como únicos intermediários entre os centros comerciais da costa e os centros produtores indígenas... "E o que, por imprevidência nossa, está sucedendo em maior escala na Lunda, onde os bangalas, ciosos das suas prerrogativas de intermediários do comercio e senhores dos portos do Kuango, não permitem a passagem para oeste aos undas e kiokos, nem para leste aos comerciantes. " Consultar a este respeito "Exploração geografica e mineralógica no Districto de Mossâmedes em 1894-1895. (apenas o texto).  Ver também "Portugal em Africa: revista scientifica", Volume 5. Ano 1898
 
 
Desde 1880, Moçâmedes podia também contar com caravanas de estilo boer puxadas por juntas de bois , mas se  exceptuarmos a linha férrea de Luanda a Cazengo, e a carreira fluvial do Quanza, de Luanda ao Dondo, feita com dois pequenos vapores, em quase toda a Angola o comércio e a agricultura estavam à época sob a dependência das caravanas de "carregadores" , situação problemática sobretudo em tempos de guerras gentílicas, conflitos com a autoridades, intervenção dos sobas que fechavam caminhos, proibiam o negócio nas suas terras, assaltavam, aprisionam, saqueavam as comitivas estranhas e desviavam as correntes comerciaes, etc.
 
 
 
O dromedário surge mais tarde, por volta de finais do sec. XIX , inicio XX, na região de Moçâmedes, o meio de transporte mais solicitado nas travessias do deserto, preferido mesmo em substituição dos carregadores, por levar mais carga,  por ser de menor preço, e por estar dispnível, sem sujeitar o comércio e a agricultura a contingências da vontade e relações humanas, de que resultavam prejuízos e despesas. Estes animais  eram adquiridos nas Canárias e aclimaram-se bastante bem à região de Moçâmedes, e sendo uma variedade da raça primitiva do norte de Africa,  conseguiam  trilhar terrenos montanhosos, subir a Chela até à  Chibia, transportar uma carga de até 450 kg, enquanto um carregador em viagem demorada não levava mais de 30 k.  
 
 
 
Com a Fortaleza de S. Fernando ao fundo...

Em 1915, no Lubango, a descarga dos camelos que transportaram o material militar e viveres desde o seu desembarque em Moçâmedes, para as forças  do Batalhão Expedicionário de Marinha que avançam sobre o Sul de Angola. (Foto de Alberto de Castro)
 
 
 
 
 Postal: No inicio era asssim. Colono de Mossâmedes montado num boi-cavalo. Figura representativa dos primórdios da colonização (meados do século XIX) Colecção particular
 
 
 
 
  
 O boi-cavalo
 
 
 
 
 
 O dromedário 
 

Com a Fortaleza de S. Fernando ao fundo...
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
Com a penetração dos boeres na decada de 1880,  Moçâmedes assitiu a um revolução nos transportes depessoas e mercadorias , e passou a contar com caravanas  puxadas por juntas de bois. No entanto
 
 


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