Subindo a Chela, no tempo do boi-cavalo e do dromedário comprado nas Canárias
O boi-cavalo
Dromedários
O
camelo, ou melhor o dromedário, era por volta de finais do sec. XIX , inicio XX, na região de Moçâmedes, o meio de transporte mais solicitado nas travessias do deserto, preferido mesmo em substituição dos
carregadores, por levar mais carga, por ser de menor preço, e por estar dispnível, sem sujeitar o comércio e a agricultura a
contingências da vontade e relações humanas, de que resultavam prejuízos e despesas. Estes animais eram adquiridos
nas Canárias e aclimaram-se bastante bem à região de Moçâmedes, e sendo uma variedade da
raça primitiva do norte
de Africa, conseguiam trilhar terrenos montanhosos, subir a Chela até à Chibia, transportar uma carga de até 450 kg, enquanto um
carregador em
viagem demorada não levava mais de 30 k.
Com a Fortaleza de S. Fernando ao fundo...

Em 1915, no Lubango, a descarga dos camelos que transportaram o material militar e viveres desde o seu desembarque em Moçâmedes, para as forças do Batalhão Expedicionário de Marinha que avançam sobre o Sul de Angola. (Foto de Alberto de Castro)
Moçâmedes podia também contar com caravanas de estilo boer puxadas por juntas de bois , mas se exceptuarmos a linha férrea de Luanda a
Cazengo, e a carreira fluvial do Quanza, de Luanda ao Dondo, feita com
dois pequenos vapores, em quase toda a Angola o comércio e a
agricultura estavam à época sob a dependência das caravanas de "carregadores" , situação problemática sobretudo em tempos de guerras gentílicas, conflitos com a autoridades, intervenção dos sobas que fechavam caminhos,
proibiam o negócio nas suas terras, assaltavam, aprisionam, saqueavam as
comitivas estranhas e desviavam as correntes comerciaes, etc.
De entre os "carregadores" salienta-se os bangalas nos
sertões de Luanda, os bienos e os bailundos nos sertões de Benguela e os
mondombes, em Moçâmedes. Eles monopolizaram os transportes pelas vias
comerciais que cruzavam os seus países, em detrimento de quaisquer
outras
comitivas, impunham-se como únicos intermediários entre os centros
comerciais da costa e os centros produtores indígenas; é o que, por
imprevidência nossa, está sucedendo em maior escala na Lunda, onde os
bangalas, ciosos das suas prerrogativas de intermediários do comercio e
senhores dos portos do Kuango, não permitem a passagem para oeste aos
undas
e kiokos, nem para leste aos comerciantes.
Para mais informação: "Exploração geografica e
mineralógica no Districto de Mossâmedes em 1894-1895. (apenas o texto). Ver também :Portugal em Africa: revista scientifica, Volume 5. Ano 1898






