quarta-feira, 22 de março de 2023

FOTOS DA FAMILIA TORRES, EM MOÇAMEDES. SEC XIX



                                      

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Retratos de Manuel José Alves Bastos  (Comendador) , natural de Fermil,  distrito de Vila Real, Trás-os-Montes,  componente da 1ª colónia, e esposa,  Amélia Torres Bastos [s.d.]  , filha de Manuel Joaquim Torres e de Maria José da Costa Torres, componente da 2ª colónia, xem fotos pertencentes a um conjunto de imagens de colonos da primeira e da segunda colónias de Moçamedes, a partir do qual ficamos a saber a filiação e as relações familiares deste casal.  Manuel José Alves Bastos foi comerciante e proprietário, com João Duarte d'Almeida dos mais ricos de Moçâmedes.  Faleceu em 12 de Abril de 1896.  Repousa no Cemitério de Moçâmedes,  sob grandioso mausoléu.

Publicação: Torres, Manuel Júlio de Mendonça, 1974. O Distrito de Moçâmedes, Vol. I, Moçamedes: Câmara Municipal. Proveniência BNP, Colecção Fundo Geral Monografias.  Proveniência  Biblioteca Nacional de Portugal (BNP)

O casal Manuel Alves de Bastos  e Amélia do Carmo Torres estava ligado por laços de familia , casamento em 1895 de sua filha Amélia do Carmo Bastos, então já viuva. com o 1º Visconde Giraul. Amelia Torres a sogra do Visconde, pertencia a uma outra familia. à época também socialmente bem posicionada e oriunda do Brasil, os Mendonça  Torres.  Assim Moçâmedes para além de gente comum, pobre e remediada, possuiu desde inicio uma casta burguesa aristocratizada , que decorava seus salões com luxuosos móveis que haviam transportado do Brasil. incluindo móveis de madeiras preciosas, espelhos com molduras em talha dourada, reposteiros de veludo , serviços de mesa de cristais cintilantes, louças de porcelana de alta qualidade, bules, cafeteiras e talheres de prata , para além de pianos para serem tocados ao serão pelas suas jovens raparigas , e até preceptoras estrangeiras para a educação dos seus filhos.


Do livro Moçâmedes de Mendonça Torres:
Uma reunião em casa de Manuel Joaquim Torres e Maria José da Costa Torres, componentes da 2ª colónia, de 1850. Deste grupo de sete senhoras, três ainda viviam quando da publicação do livro:  a primeira, a que está sentada à máquina de costura, e a que está sentada ao piano. .  Serão de jovens da familia : Maria Adelaide e Beatriz Zuzarte Mendonça Torres (com 13,14 anos) filhas de António Torres e Maria Júlia T. Zuzarte de Mendonça. Repare-se na  mobilia do interior desta casa  que foi uma das primeiras  de Moçâmedes. E repare-se na indumentária caracteristicas da época.


Pode ser uma imagem de texto 

 O belo casarão de estilo colonial, de inspiração romântica/arte noveau, situado nas Hortas de Moçâmedes, que pertenceu à familia de Eduardo de Mendonça Torres. Foto retirada da Separata Nr.6 da Revista Africana, Universidade Portugalense, Porto, 1990, intitulada " Das Pedras de Filtro à Arte Funerária dos Quimbares no Sul de Angola" , do autor Cecílio Moreira.  Lamentavelmente, parece que este edifício que deveria ter sido protegido, por se tratar de património cultural e histórico do Namibe, já não exste.

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 1906- horta torres- Moçamedes- familia a jogar polo

 

Convívio familiar na escadaria do belo casarão de estilo colonial, de inspiração romântica/arte noveau, situado nas Hortas de Moçâmedes. 1906

 

A casa dos Zuzarte de Mendonça Torres  em Moçâmedes, hoje Museu Etnográfico do Namibe.  "Armazéns Printemps", porque no rés-do chão do edificio houvera em tempos um armazém onde a elite da terra ia comprar as suas roupas "chics" encomendadas dos "Armazéns Printemps" de Paris, que incluiam vestidos de noiva, coifas, chapéus, sapatos , fatos com lantejoulas , etc, etc ,.Chegavam de palhabote a Moçâmedes  via Ponta Negra e Gabão , no contexto das viagens de cabotagem, ao longo da costa angolana. Os mesmos palhabotes que transportavam "malas " de peixe seco , que serviam de moeda de troca, em tempos de privações quase totais. .

De Victor Torres. herdeiro desta familia e nosso conterrâneo , este dramático apelo de alguém que acima de tudo ama a sua terra , naquilo que ainda guarda do seu património atquitectónico e cultura, da sua História, das suas memórias, uma mais valia para os vindouros. "...Sem me levarem a mal pois é lugar de familia... a atual casa da cultura precisa urgentemente de reabilitação. não sei se é por falta de iniciativa ou por falta de dinheiro, nada se faz. e 1 dia vai começar a cair. a parte do terraço já está interditada.a parte de trás também. o resto vai por acréscimo. e é rápido. é pena. alem do valor histórico, patrimonial foi a 1ª casa a não ser erigida em adobe na então Moçâmedes. e lá dentro existe 1 mesa em jacarandá que veio do brasil, pernambuco, da qual só existiam 9 replicas. e está ao Deus dará. alem disso onde estão as copias dos jornais da época que a cultura tinha lá armazenado ? e o resto?onde está o nosso passado? "

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O  JARDIM DA COLÓNIA  sem gradeamento, desconhecendo-se a data da mesma. Nesta foto, à esq, podemos ver parte do edifício da Alfândega (lateral, convergindo para a Rua 4 de Agosto), bem assim como o nobre edifício de linhas clássicas, sito na então Rua dos Pescadores, que foi propriedade da família Zuzarte Mendonça (Torres), e que conheci já como "Hotel Central" , explorado pela família Gouveia na década de 50

Esta foto deixa ver o JARDIM DA COLÓNIA, , paralelo à  lateral da Alfandega , no terreno  ocupado nos anos 1940 pelo Cine Moçâmedes, e para onde esteve projectado, no início do século XX, um "monumento aos pioneiros", entre verduras e flores, destinado a perpetuar a memória da 1ª e 2ª colónias de fundadores da cidade, que ali chegados em 1849 e em 1850, vindos de Pernambuco (Brasil), fugidos da revolta praeeira, a embelezar a cidade, e a "despertar sentimentos de sã moralidade, de amor pátrio, de admiração e encanto pela Arte", dizia-se então. Aliás, no dia 4 de Agosto de 1919 chegou mesmo a realizar-se no JARDIM DA COLÓNIA, com grande pompa e solenidade, a cerimónia de lançamento da primeira pedra do dito monumento, tendo em 1924 a Câmara Municipal de Moçâmedes solicitado a José Augusto da Cunha Morais, com os seu dotes de artista, o seu aconselhamento, no quadro da sua preciosa colaboração na escolha de um dos melhores escultores portugueses em mármore e bronze. Estes passos, sabemos hoje que foram dados, porém nenhum outro foi dado no sentido de ser levada para a frente essa ideia. Desse monumento existiu no entanto uma "maquete" que exibimos a seguir, e que se encontrava naturalmente arquivada no Município da cidade.

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O JARDIM DA COLÓNIA

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O JARDIM DA COLÓNIA em 1913 (da Biblioteca Nacional). A poente do edifício da Alfândega, próximo do local onde se ergueram os primeiros barracões montados para servirem de alojamento aos colonos de 1849 e 1850, e que segundo informações, se encontrava cuidadosamente tratado pela Câmara Municipal, apresentando um aspecto viçoso, onde a profusão de plantas contrastavam com a aridez do solo circunvizinho, existindo ali também 12 bancos de jardim que em 1869 se encontravam pintados. O citado JARDIM DA COLÓNIA compunha-se também de portas e de gradeamentos, como algumas fotos aqui colocadas poderão mostrar. Também existia na mesma altura no interior do Jardim um lago e a necessária "cacimba" de onde era retirada, à bomba, a água para a rega. À tarde, aos domingos e às quintas feiras, era costume reunirem-se no JARDIM DA COLÓNIA grupos de pessoas para ouvirem concertos proporcionados pela "Banda de Caçadores 3", à época aquarteladas na Fortaleza de S. Fernando.
 

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Do monumento, sabe-se que num «baixo relevo» que haveria de comportar cerca de dezoito figuras, representativas da «primeira colónia» esmagada pela adversidade; - os debilitados pelas doenças, as mulheres e crianças numa prostração dolorida de abatimento; de pé, um grupo dos mais robustos e animosos; e, entre eles, o seu prestimoso chefe a apontar um navio que, se divisa ao longe, trazendo a bordo a «segunda colónia» que a todos vem confortar e ajudar, para que possam prosseguir mais esperançados a obra iniciada. Encimando o monumento, avulta, numa atitude magnifica de triunfo, a bem proporcionada figura dum «pescador», como símbolo da principal indústria do Distrito. E, o lado, grave e solene sobressai da alvura do mármore, o Brasão de Armas do Município em bronze.

A «maquette» é um esbocêto de exíguas dimensões, e nele, por isso, o escultor não pôde, com perfeita nitidez, fixar expressões, nem marcar perspectivas. Estes e outros detalhes, porém, seriam pelo artista convenientemente desenvolvidos na execução do trabalho definitivo. A «maquette» mostra-nos, contudo, o que viria a ser o monumento no seu conjunto geral. Quanto ao prestimoso Chefe aqui referido, a apontar para um navio que se divisa ao longe, entenda-se a figura de Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, o chefe da 1ªcolónia chegada a Moçâmedes, na Barca "Tentativa Feliz", capitaneada pelo Brigue Douro, a 04 de Agosto de 1849, para dar início ao povoamento branco da região. Sobre o navio que se divisa ao longe, trata-se também do "Brigue Douro", desta vez acompanhando a "Barca Bracarense" que transporta consigo a 2ª colónia que a todos veio ajudar e dar ânimo, para que pudessem continuar a obra iniciada.
Transcreve-se na íntegra o texto que segue e que testemunha a carência de meios que existia na época entre a comunidade moçamedense e no seio da própria Câmara Municipal que não conseguiu levar por diante o referido projecto, não obstante a promoção de um espectáculo para recolha de fundos no então Cine Teatro Garrett e de um desafio de futebol realizado para o mesmo efeito:
"...O escultor calculou em seis mil escudos o custo do monumento. E dos livros de escrituração da Câmara Municipal, verificamos que para aquisição se encontrava por enquanto depositado no Banco de Angola uma importância insignificante. Um pouco mais de quatro mil e quinhentos angolares. Proveio esta importância de um espectáculo promovido no Teatro Garrett, pelo autor Tomás Vieira e por um desafio de «foot-ball» entre funcionários da Alfândega e da Fazenda, e ainda vários oferecimentos feitos por particulares. Para o que falta, que é quase tudo! Pensa-se em realizar uma grande festa,abrir subscrição e conseguir no Orçamento da Câmara uma verba especial. É, pois, de crer que desta vez venha a ser um facto o monumento, maravilhando pela sua beleza, a recordar o gesto ousado dos fundadores do Distrito, e a exprimir o preito agradecido dos filhos da terra à gloriosa memória dos seus ilustres avós.
Alguns pormenores sobre a maqueta:


"...O Sr. Cunha Morais, que fundara com Emilio Biel essa publicação notabilíssima que se chama «Arte e a Natureza», em que colaboram os mais brilhantes espíritos do país, mantinha há largos anos com pintores e artistas, relações pessoais muito amistosas, nascidas da comunhão de trabalho e convívio intelectual. Versando em assuntos de arte, e conhecedor do nosso meio artístico, prontamente lhe acudiu à lembrança o nome já consagrado de Simões de Almeida, Sobrinho, o elegante estatuário da Criança, do Riso, ds Ninfas do Mondego, o dedicado medalheiro do Xaá, de Madame X, das Crianças Italianas, o autor de tantos outros trabalhos de reconhecimento e incontestável mérito. Ao convite que logo lhe fora feito, Simões de Almeida aquiesceu. A «maquetta» que modelou veio mais uma vez confirmar o fino temperamento, a surpreendente originalidade, e o alto poder de concepção do grande artísta.
Assim, não obstante ter-se chegado a efectuar neste jardim, em 1919, com grande solenidade, a cerimónia simbólica da colocação da primeira pedra do monumento, e posteriormente, e em 1924, a Câmara Municipal de Moçâmedes ter confiado a um artista o estudo do monumento, por anuência do reconhecido amigo da terra, José Augusto da Cunha Moraes, que aconselhou os melhores escultores de expressar pelo mármore e pelo bronze, história da colonização do Distrito, o projecto foi abandonado, e após meados da década de 40 o «Jardim da Colónia» foi pura e simplesmente desmantelado para dar lugar ao «Cine Teatro de Moçâmedes»
Terminava aqui, ingloriamente, o sonho da colocação de um monumento destinado a perpetuar memória dos pioneiros da fundação de Moçâmedes. Este não seria erigido aqui nem em lado nenhum. Moçâmedes era uma cidade pobre, possuía uma Câmara pobre, e as autoridades estavam em Angola para algo mais importante do que para ajudar os Municípios ou para homenagear «colonos»!
pesquisa e texto de MNJardim
Bibliografia consultada
Jornal da Europa, Nº 10 2ª série in Boletim da Agência Geral das Colónias N.º 47, 1929 pág. 323
2 Boletim Geral do Ultramar, nºs, 348 e 349
(Do jornal da Europa, Nº 10 2ª série)

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Dr. Manuel Júlio de Mendonça Torres o autor dos livros "MOÇÂMEDES - Das fases de origem e da primeira organização (1485-1859)" - Lisboa 1954 - 2 volumes, quando era ainda bastante jovem.
Para quem não conheceu pessoalmente o escritor moçamedense que se debruçou sobre a história aprofundada do sul de Angola, entre os séculos XV e XIX, em torno de Moçâmedes e das suas gentes, dos indígenas aos colonos de origem portuguesa e dos brancos ali nascidos, eis aqui duas fotos, uma das quais ns Hortas de Moçâmedes, que foram disponibilizada pelo seu sobrinho/neto, o nosso conterrâneo Victor Mendonça Torres, que publicou recentemente um livro de sua autoria, «CARACULO , a minha paixão", e a quem muito se agradeçe.
 
Manuel Júlio de Mendonça Torres foi o autor de dois volumes repletos de informação sobre todos os aspectos da vida social, económica e industrial de Moçâmedes, ilustrado com fotografias dos casarios e de algumas das individualidades em destaque e com responsabilidades várias nos destinos da região e das suas gentes. Num tempo em que não tínhamos acesso ao manancial de informação que hoje se encontra disponível na Internet, nas livrarias, bibliotecas, livrarias, etc, eram os dois livros de Manuel Júlio de Mendonça Torres que nos permitia ter alguma informação sobre a História de Moçâmedese inda assim não eram muito divulgados.  
 

Casamento na familia em Moçâmedes. Igreja de Santo Adrião
 
Casamento na familia em Moçâmedes
Casamento na familia em Moçâmedes
Nas HORTAs da familia em Moçâmedes
 
Nas HORTAs da familia em Moçâmedes
Nas HORTAs da familia em Moçâmedes
 
 
 Nas HORTAs da familia em Moçâmedes
 
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