

Retratos
de Manuel José Alves Bastos (Comendador) , natural de Fermil, distrito de Vila Real, Trás-os-Montes, componente da 1ª colónia, e esposa, Amélia Torres Bastos [s.d.] , filha de Manuel Joaquim Torres e de Maria José da Costa Torres, componente da 2ª colónia, xem fotos pertencentes a um conjunto de imagens de
colonos da primeira e da segunda colónias de Moçamedes, a partir do qual
ficamos a saber a filiação e as relações familiares deste casal. Manuel José Alves Bastos foi comerciante e proprietário, com João Duarte d'Almeida dos mais ricos de Moçâmedes. Faleceu em 12 de Abril de 1896. Repousa no Cemitério de Moçâmedes, sob grandioso mausoléu.
Publicação: Torres, Manuel Júlio de Mendonça, 1974. O Distrito de Moçâmedes, Vol. I, Moçamedes: Câmara Municipal. Proveniência BNP, Colecção Fundo Geral Monografias. Proveniência Biblioteca Nacional de Portugal (BNP)
Do
livro Moçâmedes de Mendonça Torres: Uma reunião em casa de Manuel Joaquim Torres e Maria José da Costa Torres, componentes da 2ª colónia, de 1850. Deste
grupo de sete senhoras, três ainda viviam quando da publicação do livro: a primeira, a que está sentada à
máquina de costura, e a que está sentada ao piano. . Serão de jovens da familia : Maria Adelaide e Beatriz Zuzarte Mendonça Torres (com 13,14 anos)
filhas de António Torres e Maria Júlia T. Zuzarte de Mendonça. Repare-se na mobilia do interior desta casa que foi uma das primeiras de Moçâmedes. E repare-se na indumentária caracteristicas da época.
O belo casarão de estilo colonial, de inspiração romântica/arte noveau, situado nas Hortas de Moçâmedes, que pertenceu à familia de Eduardo de Mendonça Torres. Foto retirada da Separata Nr.6 da Revista Africana, Universidade Portugalense, Porto, 1990, intitulada " Das Pedras de Filtro à Arte Funerária dos Quimbares no Sul de Angola" , do autor Cecílio Moreira. Lamentavelmente, parece que este edifício que deveria ter sido protegido, por se tratar de património cultural e histórico do Namibe, já não exste.
1906- horta torres- Moçamedes- familia a jogar polo
Convívio familiar na escadaria do belo casarão de estilo colonial, de inspiração romântica/arte noveau,
situado nas Hortas de Moçâmedes. 1906
A casa dos Zuzarte de Mendonça Torres em Moçâmedes, hoje Museu Etnográfico do Namibe. "Armazéns Printemps", porque no rés-do chão do edificio houvera em tempos um armazém onde a elite da terra ia comprar as suas roupas "chics" encomendadas dos "Armazéns Printemps" de Paris, que incluiam vestidos de noiva, coifas, chapéus, sapatos , fatos com lantejoulas , etc, etc ,.Chegavam de palhabote a Moçâmedes via Ponta Negra e Gabão , no contexto das viagens de cabotagem, ao longo da costa angolana. Os mesmos palhabotes que transportavam "malas " de peixe seco , que serviam de moeda de troca, em tempos de privações quase totais. .
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O JARDIM DA COLÓNIA sem gradeamento, desconhecendo-se a data da mesma. Nesta foto, à esq, podemos ver parte do edifício da Alfândega (lateral, convergindo para a Rua 4 de Agosto), bem assim como o nobre edifício de linhas clássicas, sito na então Rua dos Pescadores, que foi propriedade da família Zuzarte Mendonça (Torres), e que conheci já como "Hotel Central" , explorado pela família Gouveia na década de 50
Esta foto deixa ver o JARDIM DA COLÓNIA, , paralelo à lateral da Alfandega , no terreno ocupado nos anos 1940 pelo Cine Moçâmedes, e para onde esteve projectado, no início do século XX, um "monumento aos pioneiros", entre verduras e flores, destinado a perpetuar a memória da 1ª e 2ª colónias de fundadores da cidade, que ali chegados em 1849 e em 1850, vindos de Pernambuco (Brasil), fugidos da revolta praeeira, a embelezar a cidade, e a "despertar sentimentos de sã moralidade, de amor pátrio, de admiração e encanto pela Arte", dizia-se então. Aliás, no dia 4 de Agosto de 1919 chegou mesmo a realizar-se no JARDIM DA COLÓNIA, com grande pompa e solenidade, a cerimónia de lançamento da primeira pedra do dito monumento, tendo em 1924 a Câmara Municipal de Moçâmedes solicitado a José Augusto da Cunha Morais, com os seu dotes de artista, o seu aconselhamento, no quadro da sua preciosa colaboração na escolha de um dos melhores escultores portugueses em mármore e bronze. Estes passos, sabemos hoje que foram dados, porém nenhum outro foi dado no sentido de ser levada para a frente essa ideia. Desse monumento existiu no entanto uma "maquete" que exibimos a seguir, e que se encontrava naturalmente arquivada no Município da cidade.

O JARDIM DA COLÓNIA
O JARDIM DA COLÓNIA em 1913 (da Biblioteca Nacional). A poente do edifício da
Alfândega, próximo do local onde se ergueram os primeiros barracões
montados para servirem de alojamento aos colonos de 1849 e 1850, e que
segundo informações, se encontrava cuidadosamente tratado pela Câmara
Municipal, apresentando um aspecto viçoso, onde a profusão de plantas
contrastavam com a aridez do solo circunvizinho, existindo ali também 12
bancos de jardim que em 1869 se encontravam pintados. O citado JARDIM
DA COLÓNIA compunha-se também de portas e de gradeamentos, como algumas
fotos aqui colocadas poderão mostrar. Também existia na mesma altura no
interior do Jardim um lago e a necessária "cacimba" de onde era
retirada, à bomba, a água para a rega. À tarde, aos domingos e às
quintas feiras, era costume reunirem-se no JARDIM DA COLÓNIA grupos de
pessoas para ouvirem concertos proporcionados pela "Banda de Caçadores
3", à época aquarteladas na Fortaleza de S. Fernando.
Do monumento, sabe-se que num «baixo relevo» que haveria de comportar cerca de dezoito figuras, representativas da «primeira colónia» esmagada pela adversidade; - os debilitados pelas doenças, as mulheres e crianças numa prostração dolorida de abatimento; de pé, um grupo dos mais robustos e animosos; e, entre eles, o seu prestimoso chefe a apontar um navio que, se divisa ao longe, trazendo a bordo a «segunda colónia» que a todos vem confortar e ajudar, para que possam prosseguir mais esperançados a obra iniciada. Encimando o monumento, avulta, numa atitude magnifica de triunfo, a bem proporcionada figura dum «pescador», como símbolo da principal indústria do Distrito. E, o lado, grave e solene sobressai da alvura do mármore, o Brasão de Armas do Município em bronze.
A «maquette» é um esbocêto de exíguas dimensões, e nele, por isso, o escultor não pôde, com perfeita nitidez, fixar expressões, nem marcar perspectivas. Estes e outros detalhes, porém, seriam pelo artista convenientemente desenvolvidos na execução do trabalho definitivo. A «maquette» mostra-nos, contudo, o que viria a ser o monumento no seu conjunto geral. Quanto ao prestimoso Chefe aqui referido, a apontar para um navio que se divisa ao longe, entenda-se a figura de Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, o chefe da 1ªcolónia chegada a Moçâmedes, na Barca "Tentativa Feliz", capitaneada pelo Brigue Douro, a 04 de Agosto de 1849, para dar início ao povoamento branco da região. Sobre o navio que se divisa ao longe, trata-se também do "Brigue Douro", desta vez acompanhando a "Barca Bracarense" que transporta consigo a 2ª colónia que a todos veio ajudar e dar ânimo, para que pudessem continuar a obra iniciada.
Transcreve-se na íntegra o texto que segue e que testemunha a carência de meios que existia na época entre a comunidade moçamedense e no seio da própria Câmara Municipal que não conseguiu levar por diante o referido projecto, não obstante a promoção de um espectáculo para recolha de fundos no então Cine Teatro Garrett e de um desafio de futebol realizado para o mesmo efeito:
"...O escultor calculou em seis mil escudos o custo do monumento. E dos livros de escrituração da Câmara Municipal, verificamos que para aquisição se encontrava por enquanto depositado no Banco de Angola uma importância insignificante. Um pouco mais de quatro mil e quinhentos angolares. Proveio esta importância de um espectáculo promovido no Teatro Garrett, pelo autor Tomás Vieira e por um desafio de «foot-ball» entre funcionários da Alfândega e da Fazenda, e ainda vários oferecimentos feitos por particulares. Para o que falta, que é quase tudo! Pensa-se em realizar uma grande festa,abrir subscrição e conseguir no Orçamento da Câmara uma verba especial. É, pois, de crer que desta vez venha a ser um facto o monumento, maravilhando pela sua beleza, a recordar o gesto ousado dos fundadores do Distrito, e a exprimir o preito agradecido dos filhos da terra à gloriosa memória dos seus ilustres avós.
Alguns pormenores sobre a maqueta:
"...O Sr. Cunha Morais, que fundara com Emilio Biel essa publicação notabilíssima que se chama «Arte e a Natureza», em que colaboram os mais brilhantes espíritos do país, mantinha há largos anos com pintores e artistas, relações pessoais muito amistosas, nascidas da comunhão de trabalho e convívio intelectual. Versando em assuntos de arte, e conhecedor do nosso meio artístico, prontamente lhe acudiu à lembrança o nome já consagrado de Simões de Almeida, Sobrinho, o elegante estatuário da Criança, do Riso, ds Ninfas do Mondego, o dedicado medalheiro do Xaá, de Madame X, das Crianças Italianas, o autor de tantos outros trabalhos de reconhecimento e incontestável mérito. Ao convite que logo lhe fora feito, Simões de Almeida aquiesceu. A «maquetta» que modelou veio mais uma vez confirmar o fino temperamento, a surpreendente originalidade, e o alto poder de concepção do grande artísta.
Assim, não obstante ter-se chegado a efectuar neste jardim, em 1919, com grande solenidade, a cerimónia simbólica da colocação da primeira pedra do monumento, e posteriormente, e em 1924, a Câmara Municipal de Moçâmedes ter confiado a um artista o estudo do monumento, por anuência do reconhecido amigo da terra, José Augusto da Cunha Moraes, que aconselhou os melhores escultores de expressar pelo mármore e pelo bronze, história da colonização do Distrito, o projecto foi abandonado, e após meados da década de 40 o «Jardim da Colónia» foi pura e simplesmente desmantelado para dar lugar ao «Cine Teatro de Moçâmedes»
Terminava aqui, ingloriamente, o sonho da colocação de um monumento destinado a perpetuar memória dos pioneiros da fundação de Moçâmedes. Este não seria erigido aqui nem em lado nenhum. Moçâmedes era uma cidade pobre, possuía uma Câmara pobre, e as autoridades estavam em Angola para algo mais importante do que para ajudar os Municípios ou para homenagear «colonos»!
pesquisa e texto de MNJardim
Bibliografia consultada
Jornal da Europa, Nº 10 2ª série in Boletim da Agência Geral das Colónias N.º 47, 1929 pág. 323
2 Boletim Geral do Ultramar, nºs, 348 e 349
(Do jornal da Europa, Nº 10 2ª série)



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