Esta é a Fazenda dos Cavaleiros, onde Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro se dedicou às suas plantações e estabeleceu o seu engenho voltado para a exploração do açúcar
Tempos mais tarde alguém escreveu...
"...Num alto, dominando toda a extensão do domínio rural, erguem-se as
ruínas de uma velha casa que supunha ter sido a casa do fundador. Perto
do local há umas cubatas de pretos, e um velho deu-me uma correcta
informação dos donos da Fazenda. Foi de um branco - disse. Depois foi da
Companhia - a Companhia do Sul de Angola - e depois do Venâncio -
Venâncio Guimarães, e agora é de um fulano de quem disse o nome, mas eu
não o retive. Segundo o preto, as ruínas eram da casa do branco. Da amoreira, o preto não soube dar fé." (...)
"...No salão nobre da Câmara, no lugar de honra, lá está o retrato a óleo do
velho Bernardino, rodeado de outros notáveis. Gostei de ver, e ergui
uma breve prece por aquele que foi, sem dúvida, um corajoso pioneiro e
homem de acção. Aqui tem uma breve reportagem, e lamento não ter tido
tempo para
cavaquear com os velhos, para ver o que haveria ainda na tradição oral.
Digo-lhe porém que a lembrança do velho Bernardino vive, como um
protector da cidade, na lembrança de toda a gente, incluindo a rapaziada
desportiva. Quando disputam futebol com Sá da Bandeira, invocam
Bernardino, e quando começam a falar nele, nada lhes resiste. Ainha há
pouco tempo estavam a perder um jogo e começavam da assistência a animar
os jogadores: "Ber-nar-dino! Ber-nar-dino!" Pois acabaram ganhando, e
atribuiram ao incitamento e apoio espiritual de Bernardino! Veja pois,
como está viva a memória do grande pioneiro!".
Tudo isto é muito, mas não basta. É preciso erguer no coração de
Moçâmedes um grande monumento ao fundador! É preciso erguer no coração
de Nogueira do Cravo, um grande monumento ao maior filho daquela ridente
povoação!

Apesar de figura pouco referida e até já esquecida nos nossos agitados dias, BERNARDINO FREIRE DE FIGUEIREDO ABREU E CASTRO, considerado o grande timoneiro do início da colonização do Distrito de Moçâmedes.
"...Recordai, hoje e sempre, com admiração, o homem, o herói e o mártir que fundou Moçâmedes. "Terá Moçâmedes esquecido o seu fundador?
Responde-se: de todo, não! Mas talvez não lhe tenham dado ainda o preito de justiça, de amor e de gratidão à altura dos seus méritos.
Do livro: "Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, fundador de Moçâmedes" Padre José Vicente (Gil Duarte).
Ver também AQUI
e AQUI
Do livro Moçamedes de Manuel Julio Mendonça Torres