terça-feira, 12 de Março de 2013

Fotos e Postais antigos de Mossâmedes (Moçâmedes, Namibe)






Igreja Matriz de Santo Adrião

 
 Ainda no Recife, preparando a viagem para Mossâmedes, Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, o Chefe da 1ªcolónia, tomara como obrigação ser o seu primeiro trabalho erigir um templo, devendo os colonos viajarem acompanhados por um sacerdote de conduta exemplar. Não deve ter sido possível um sacerdote para acompanhar a colónia que deixou o Brasil em 23 de Maio de 1849 e chegou a Mossâmedes em 04 de Agosto de 1849. Quanto
 à Igreja e da casa do pároco estas, começadas antes da partida dos colonos terem partido, não se encontravam prontam à chegada, conforme relatório de 31 de Dezembro de 1854, do 5º Governador de Mossâmedes, Fernando da Costa Leal :
 
" As obras da igreja e da casa do pároco se acham em tal grau de adiantamento, a despeito dos poucos operários e de meios, que, com três meses mais de trabalho ficariam prontas. O que há a fazer limita-se somente a guarnecer toda a obra de cal fina, alguns ornatos de madeira na capela-mor, os dois altares laterais, e, finalmente, os balaustres para a teia e coro da igreja." 


 Devem ter surgido dificuldades, pois a igreja demorou mais, muito mais de três meses, a ser concluida. Isso, porém, em nada diminuiu o papel de Bernardino na sua construção, e estamos em crer que nela terá gasto avultadas quantias do seu generoso bolso. Àcerca da igreja, diz Bernardino em crónica de 2 de Novembro de 1849

"Bem urgente é vê-la ultimada, pois não podia deixar de escandalizar a qualquer viajante católico, que uma sociedade tão numerosa como é hoje a de Moçâmedes, não tenha uma casa de oração, onde reuna para dar graças ao Todo Poderoso e pedir os auxilios de que cada qual carece." 

Bernardino partiu para a capital de Angola no dia 16 de Agosto de 1849, quinze dias depois de ter chegado a Moçâmedes. Pois em 27 de Setembro seguinte era publicada uma Nota do Governo do Bispado ordenando que o pároco de Benguela fosse a Moçâmedes "administrar sacramentos de necessidade, e o matrimónio".
Tinha Bernardino o hábito de empregar algumas frases, como frases de cruzado para entusiamar a sua gente. Uma delas, já o sabemos, era esta:
"Só será salvo o que preservar até ao fim!" rebuscada nos livros santos. Outra : "As sociedades florescem quando a Religião triunfa!".

Sabe-se que a sua conclusão foi efectuada com base em subscrições levadas a cabo entre os moradores, numa época em termos económicos os colonos começavam a dar, também eles os primeiros passose que se ficou a dever aos cuidados do pároco Gil Carneiro pela construção e embelezamento do templo.  
Igreja Matriz de Santo Adrião



De arquitetura religiosa simples, nada a ver com o gótico das Igrejas europeias, esta Igreja começou a ser erguida em 27 de Julho de 1849,  por Instruções Provinciais, de 30 de Março desse ano, emanadas do Governador Geral Acácio Adrião da Silveira Pinto, que encarregou o major Ferreira Horta de "construir um templo de dimensões suficientes para albergar  não só todos os habitantes da colónia, como ainda os indígenas vizinhos, que viessem à povoação assistir aos actos religiosos, ou que em dias santificados nela se encontrassem".
Com o triunfo do liberalismo vivia-se um quadroda sociedade  predominantemente laicizante, que se reflectia na urbanização,  e no pouco investimento público no tema religioso, por comparação com a época anterior. Nesta Igreja , de linhas clássicas  com frontão central triangular ladeado de duas torres, domina a habitual composição simétrica, que nada tem a ver com outras igrejas torreadas, em que a torre surge frequentemente em posição central, na tradição de algum gótico francês, com marcação expressiva das linhas verticais e aplicação sistemática do arco ogival.ou curvo.


Um dos postais mais antigos que representam a cidade de Mossâmedes. Cheguei a possuir esta gravura em quadro de 1.20 m de largura. Data:  1863.   LIMA, João Barbosa, 1839-1867
Vista geral da villa de Mossâmedes [Visual gráfico / B. Lima ; Pedrozo [sculp.]. - [S.l. : s.n., 186-?]. - 1 gravura : madeira, p&b. Encontra-se na Biblioteca Nacional.


Igual ao de cima, Um dos postais mais antigos que representam a cidade de Mossâmedes. Data:  1863 . LIMA, João Barbosa, 1839-1867
Vista geral da villa de Mossamedes [Visual gráfico / B. Lima ; Pedrozo [sculp.]. - [S.l. : s.n., 186-?]. - 1 gravura : madeira, p&b. Encontra-se na  BNP
DAQUI




Igual ao de cima, Um dos postais mais antigos que representam a cidade de Mossâmedes, apresentando diferente enquadramento.. Data: 1863
  Mossâmedes em gravura de M Moraes
1865.


 Mossâmedes em gravura de M Moraes. 1865.
 
Conf.  Manuel Julio de Mendonça Torres , no periodo entre 1860 e 1879  Mossâmedes já contava  com os seguintes edificios públicos:  Igreja de Santo Adrião, começada a construir em 27.07.1849 com o lançamento da 1ª pedra;  a Fortaleza de S. Fernando e a de Capangombe;  o Palácio do Governo; a Alfândega; o Hospital; o Matadouro; o Cemitério; o Obelisco a Sá da Bandeira; o Jardim da Colónia; já estava feito o traçado e os arruamentos;  a primeira ponte de caes; a estrada para Capangombe.  Este periodo correspondeu ao dos Governadores António de Castro, Fernando Leal e Joaquim Graça. Em 1868  havia as Ruas paralelas da Praia do Bonfim (onde ficavam a Alfândega e os CTT),  a Rua dos Pescadores, a Rua do Alferes,  a Rua Calheiros e a Rua BoaVista. As transversais eram as ruas dos Prazeres e de S. João, que cortavam a da Praia do Bonfim;   a Rua da Alegria e a Rua Bom Jardim que atravessavam a Rua Calheiros;  a Rua Formosa que cruzava com a Boavista;  e as Travessas de Santo António, Cancela, da Alfândega e Flores, que partia da Rua da Praia do Bonfim e terminavam na Rua Calheiros.



Mossâmedes 1888. LIMA, João Barbosa, 1839-1  Figura da época onde se pode ver, à esq. o edifício da Alfândega . Nesta altura a povoação começava a tomar forma, desenhando-se já com plantação de coqueiros, aquela que iria ser a Avenida D. Luis, que após 1910, mudaria para Avª da República.  867


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 Mossâmedes em gravura de M Moraes


No traçado em forma quadriculada, ou tabuleiro de damas, predominava a linha recta. A maioria dos prédios eram de um só piso, vendo-se já, neste periodo, ou principio do seguinte,  duas casas construidas de 1º andar, a de João Duarte de Almeida, e aquela onde morava e tinha escritório José Júlio Zuzarte de Mendonça, ambas na Rua da Praia do Bonfim.  Sobressaia o Palácio do Governador, cuja frontaria alta rasgava três janelas de sacada. As ruas encontravam-se por empedrar e ainda sem iluminação pública o que iria acontecer no periodo imediato.  Começou neste periodo a cuidar-se da arborização das praças e ruas da vila.  Também nesta época começaram as plantações de "eucaliptos globulus", segundo Costa Cabral, e outras palmeiras por iniciativa de Lapa e Faro. João Chagas, jornalista exilado em Moçâmedes, dizia na sua obra "Diário de um Condenado" que Mossâmedes  não sendo uma colónia próspera , não fornecia borracha, marfim,  cera, café, produzia em comparação belas e saudáveis crianças que toleravam o sol ardente, e o interior das casas  da população branca, pintadas a cal, oca, anil, e vermelhão mantêm quadros e móveis tradicionais dos interiores das familias portuguesas.


 Alfândega de Mossâmedes


De "arquitetura classicizante, como era comum em obras públicas" no quadro da colonização portuguesa, em áreas dos transportes (alfândegas, estações de caminho-de‐ferro), em sedes municipais (câmaras), e em edifícios governamentais, tribunais, etc.., obras de frontão e vãos de arco redondo,



  O edifício da Alfândega de Mossâmedes

In "Conspecto Imobiliario do Distrito de Moçâmedes", no ciclo de 1860 a 1879, Manuel Júlio de Mendonça Torres refere: "...Pinto de Balsemão no relato da sua viagem a Moçâmedes, declara em ofício datado de 27 de Março de 1868 que "...o edifício da Alfândega, primorosamente acabado, obra do benemérito Governador Leal, era dos mais regulares, elegantes e sólidos que havia em toda a Província" lamentando porém, que não lhe correspondesse o movimento que seria para desejar, "visto que estava quase sempre ermo de fardos". Mendonça Torres entende que não era exacta a afirmação de Balsemão, porque no ciclo que estava a estudar, "o tráfico distrital havia-se revelado, por essa época, francamente animador" , "o comércio estava então notoriamente a prosperar, pois que assim indicavam, sem possível contestação, o movimento exportador algodoeiro, e as condições favoráveis, nunca antes verificadas, da sua balança mercantil.   "Quanto ao  edifício da "Alfândega", Mendonça Torres  refere que o plano e execução ficou a dever-se ao Governador Fernando da Costa Leal, tendo começado a construir-se em 1863, no primeiro ano do seu segundo governo, sendo a sua construção ultimada em Abril de 1868, no tempo da administração do governador Joaquim Graça. Referindo-se a notícias sobre o assunto no livro de Brito Aranha, "Memórias Histórico- Estatísticas" a pág. 273.

"...O edifício da "Alfândega" ocupa uma área de 1081 metros quadrados, tendo de frente 23 metros, de fundo 47 e de pé direito, 6. É de alvenaria, mas as portas e janelas têm guarnecimentos de cantaria. Sustenta-o uma cobertura de telha. Consta de cinco salas e dois grandes armazéns com um pátio no centro.  A porta da entrada olha para a baía, e a da saída para a Praça da Colónia. Paralelamente ao edifício levantou-se um telheiro de madeira que já não existe. Media este 9 metros de largura e 23 de fundo apoiados em 12 pilares de madeira assentes em socos de cantaria. Servia o telheiro para abrigae os escaleres da Alfândega e as mercadorias que houvessem de embarcar a horas em que a repartição estivesse fechada.A construção da Alfândega custou, aproximadamente,  12.000$000 réis."
Boletim Geral do Ultramar . XXX - 348 e 349
PORTUGAL. Agência Geral do Ultramar.
Nº 348-349 - Vol. XXX, 1954, 289 pags.




 Colecção particular

 
Os barracões.  Colecção particular (referenciada)
 
 Colecção particular
 
 Colecção particular
 
 Colecção particular
 
 Colecção particular



 Colecção particular
 





Uma perspectiva da cidade, onde se pode ver, ao fundo da Rua principal, a Rua da Praia do Bonfim, o extenso edifício da Alfândega dotado com 3 frentes, e portal em 2 frentes encimado por frontão triangular, para melhor enquadramento e perspectiva



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 Colecção particular
"...Possue ruas espaçosas, compridas, bem alinhadas e divididas em quarteirões sjnnetricos, todas calçadas e illuminadas a petróleo. Nota-se n'ellas extremo aceio e limpeza, que rivalisam com a regular disposição e óptima divisão. Possue uma bella avenida arborisada que se prolonga com a praia e dá lindo aspecto ás suas casas, que se destacam por entre renques de palmeiras."
O districto de Mossamedes (1892). José Pereira do Nascimento 


 Colecção particular
"... As casas são lindas construcções modernas, em que as boas condiçõívs hygienicas andam a par com o bom gosto e solidez. Quasi todas são assoalhadas e forradas com boas madeiras da Europa. São bem divididas, bem orientadas e aceiadas. Os seus tectos são chatos e as frontarias, pintadas com gosto, são dispostas com arte e  belleza. Quasi todas possuem jardim e quintal, que fornece excellentes hortaliças e tem uma ranmha d'onde se extrae a agua para os usos ordinários. O districto de Mossamedes (1892). José Pereira do Nascimento
 

Colecção particular


"...Os seus principaes edifícios públicos são : o palácio do governo, o melhor das nossas possessões, bella obra de architectura montada com luxo e grandeza; n'elle estão  installadas as principaes repartições publicas; a fortaleza de S. Fernando, construída sobre um rochedo, que domina a formosa bahia; serve de quartel ao 4.o batalhão de caçadores: a alfandega, lindo edifício situado a meio da rua  principal, próximo á praia; possue vastos armazéns e boas sallas; communica por meio de carris de ferro com a ponte-caes, boa construcção em ferro e madeira: o hospital em corpos separados formados de barracões, systema Tolhít: a igreja: o matadouro situado optimamente á beira  mar: o cemitério, bastante afastado da villa: repartição do  correio e das obras publicas, etc. O districto de Mossamedes (1892). José Pereira do Nascimento

 Postal IICT/AHU

  Colecção particular.   Conheça a história desta Igreja AQUI

 

Edificio da Câmara Municipal de Mossâmedes

Edifício da Câmara Municipal, onde funcionou em tempos idos uma Escola.. Colecção particular
Escola Portugal ou n. 55 de Pinheiro Furtado
O desaterro e terraplanagem da elevação prolongamento do morro de S. Fernando
1920/30



O desaterro e terraplanegem da elevação prolongamento do morro de S. Fernando
1920/30
 
 Colecção particular

Postal da colecção particular e Colecção João Cristiano

AQUI  AQUI



 Colecção particular
 Colecção particular


 Colecção particular
 Colecção particular
 Colecção particular

 Colecção particular cedida por Lay Silva a Sanzalangola e pertença do moçamedense Albino da Cunna
 Colecção particular

 Colecção particular


  Colecção particular

 Colecção particular (indicada)




  Colecção particular

   Colecção particular

 Carregadores em Mossâmedes. Colecção Particular
 

 Colecção particular
 Esta é a Praça Leal, trndo no centro o chafariz.


 Colecção particular
 O chafariz da Praça Leal

 Aqui podemos ver a Praça Leal com o chafariz ao centro, tendo ao fundo o edificio de traça classizante do Sindicato da Pesca, e talbém  a parte lateral do edifício da Alfândega, onde funcionaram os primitivos Correios.





  Colecção particular (indicada)


Colecção Particular. Este postal de Mossâmedes/Moçâmedes permite ver parte do edifício da Alfândega e da Rua perpendicular ao mar, a 4 de Agosto

 
  Colecção particular

 
 Colecção particular
 





 Colecção particular


Edifício do Cabo Submarino, também conhecido por «Chalet da Companhia Telegraphica»
ver também AQUI

Foto de 1935  Colecção particular
 

Foto de Salvador

  Colecção particular. Centenário 1949
  Colecção particular. Centenário 1949
   Colecção particular. Centenário 1949
  Colecção particular. Centenário 1949
 

  Colecção particular. Centenário 1949







 




 








Edificio do Banco de Angola de Moçâmedes. Colecção particular

Ver tb

Agradece-se a quem venha aqui retirar fotos e postais  para seus sites, blogs, facebook, etc, que não se aproprie daquilo que não lhe pertence, colocando rótulo nas ditas fotos e postais daqui retirados como se propriedade sua se tratasse.  Algumas dessas fotos e postais são, incluso da minha colecção particular, outras  são de várias proveniências, incluso de amigos coleccionadores, da Biblioteca Nacional, etc. Aqueles cuja origem desconheço mantenho sem alusão. à espera que alguém os venha reivindicar. Colocar rítulos como se fossem meus , jamais!