terça-feira, 17 de setembro de 2013

Palácio do Governador de Mossâmedes, Moçâmedes, Namibe. Seu mobiliário


 Foto da reconstrução do "Palácio do Governador", já na década de 1920




Coube ao 5º Governador de Mossâmedes, Fernando da Costa Leal,  o lançamento das fundações deste Palácio, juntando à custa de muitos sacrificios, grande quantidade de materiais para a sua continuação.(Livro 45 dias em Angola)  Foi iniciado em 1858, ainda que somente tivesse ficado concluído trinta e um anos depois. Foi destruído por um incêndio em 1899, e reconstruido já na década de 1920, sob o  comissariado do General Norton de Matos.


 Postal editado nos anos 1930. Por esta altura o Tribunal funcionava na parte lateral do Palácio, a olhar a Avenida, onde se vê uma porta e alguns degraus, que mais adiante, em outras  fotos, deixarão de estar ali.


 Postal da colecção editada por ocasião do CENTENÁRIO da cidade em 04.08.1949. Repare-se que o Palácio ainda não se projectava o terraço,  como viria a acontecer mais tarde. Também existia um muro entre o Palácio e a Igreja Paroquial de Santo Adrião, que deixou de aparecer em fotos subsequentes. Já se vêem as vivendas de madeira destinadas aos funcionários públicos, entre a Igreja e o Hospital. Chamo a atenção para o banco de duas frentes em cimento no outro lado da rua, mais ou menos em frente ao Palácio. Eram três ao longo desta Avenida, a então Avenida Felner.


 Não compreendo a legenda deste postal dos tempos em que Moçâmedes se escrevia com "SS": "Ruinas do Palácio..." . De facto o Palácio foi acometido por um incêndio  em 1899, e reconstruido já na década de 1920, sob o  comissariado do General Norton de Matos, mas embora sem telhado, apresenta-se intacto.  A seguir à Igreja, as casas de madeira dos funcionários públicos, o Hospital  D. Amélia com seu corpo central e seus dois pavilhões laterais. Este Hospital foi demolido na década de 1950.


 Aqui o Paláciol já se apresenta com telhado. Estava-se na década de 1960, e obras haviam sido levadas a cabo na fachada que alteraram ligeiramente o projecto. Note-se que a Avenida Felner aqui já se encontra asfaltada, após o terreno em frente ao Palácio ter sido objecto de terraplenagem, que as laterais do Palácio apresentam-se contornadas por um muro com vegetação e passou a existis uma escadaria de acesso à entrada principal do mesmo. Também já não existem as  vivendas em madeiras para funcionários, nem o Hospital, tendo em seu lugar surgido um conjunto de edifícios públicos modernos: o edifício das Finanças, o do Governo do Distrito, e a Associação Comercial...




Gravura antiga que nos mostra a Fortaleza de S. Fernando e a Igreja de Santo Adrião, e também, ainda que apagado, o Palácio, e a zona baixa da povoação...


 Presidente da República, Óscar Fragoso Carmona, no decurso de uma visita a Moçâmedes em 8 de Agosto de 1938. Ver AQUI

 http://princesa-do-namibe.blogspot.com/2014/03/o-chefe-do-estado-portugues-oscar-de.html

 https://www.youtube.com/watch?v=3PilOM4YJJ4

Seguem algumas fotos do interior do Palácio-residência do Governador...

O hall de entrada
O hall de entrada



O salão de recepções





Aposento para visitantes


O quarto principal
Outro quarto para visitantes


Tb pode ver AQUI 
e AQUI 



terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Fotos e Postais do Namibe do antigamente, quando era Mossâmedes (depois Moçâmedes)...

Rua da Praia do Bonfim, Mossâmedes (Moçâmedes, Namibe). Repare-se à esq. como nesta altura o morro da Fortaleza se prolongava até aqui, tendo de ser desentulhado e levada a terra para uma depressão que ficava ao fundo da Avenida, após a Estação do Caminho de Ferro. Este era ainda  o tempo em que o lugar que daria lugar à futura Avenida estava ocupado por barracões.

Aqui começava a desenhar-se a Rua da Praia do Bonfim em finais do séc XIX.. À esq.o local onde seria aberta a Avenida da República, o que passou pelo derrube dos barracões, ao fundo, esq,  e terraplanagem  do terreno mais próximo, à esq na foto, para onde se prolongava a elevação onde assenta a Fortaleza.. Isso aconteceu nos anos 1930 do séc XX, a mando do então Capitão Mendonça que incumbiu dessa missão a soldadesca sob seu comando, que não queria vê-la ociosa.

 Rua dos Pescadores. À esq hoje são as traseiras do Cine Moçâmedes.No canto direito nasceu na década de 1950 o Hotel Turismo
Conforme  Manuel Julio de Mendonça Torres na sua obra "Moçâmedes, no periodo entre 1860 e 1879" No traçado moderno da vila, em forma quadriculada ou tabuleiro de damas, predominava a linha recta. A maioria dos prédios eram de um só piso, vendo-se já neste período, entre 1860 e 1879, ou no principio do seguinte,  duas casas construídas de 1º andar, a de João Duarte de Almeida, e aquela onde morava e tinha escritório José Júlio Zuzarte de Mendonça. Acredito sejam estas as duas casas a que Mendonça Torres se refere, ainda que diga que ambas ficavam na Rua da Praia do Bonfim, e não na Rua dos Pescadores.  No seu relato prossegue , dizendo que as ruas se encontravam por empedrar e ainda sem iluminação pública, o que iria acontecer no período imediato.  Começou neste período a cuidar-se da arborização das praças e ruas da vila.  Também nesta época começaram as plantações de "eucaliptos globulus" e outras palmeiras, segundo Costa Cabral, por iniciativa de do 1º médico de Moçâmedes, o Dr Lapa e Faro.


Descarregando víveres numa rua de Moçâmedes, no tempo em que as carroças de estilo boer eram o mais eficiente meio de transporte, um tempo provavelmente anterior ao do comboio e do automóvel. Foto de finais do século xix?


 Rua dos Pescadores, no troço que passa pela Praça Leal, antiga de Táxis. Neste tempo as carroças de estilo boer eram o mais eficiente meio de transporte,  antes do comboio e do automóvel. Para grandes travessias no deserto preferiam os dromedários adquiridos nas Canárias. Foto de finais do século xix
Dança de rua de Carnaval.
 Carregadores? Inicio do século XX
 Esta foto é antiquíssima, uma vez que o edificio da Alfândega se encontra em construção. Nesta foto tirada junto a uma fonte pública (Chafariz) carregam-se barris com água potável, nesse tempo em que a maioria das casas possuíam quintais com cacimbas (poços).

 Outra perspectiva com edifício da Alfândega em construção e barracão na Avenida à esq. Carregadores descansam . Trata-se de um dos mais antigos edificios que chegaram em bom estado aos nossos dias. Logo, estas fotos são antiquíssimas.

Conforme  Manuel Julio de Mendonça Torres na sua obra dedicada a Moçâmedes, no periodo entre 1860 e 1879 a vila já contava  com os seguintes edificios públicos:  Igreja de Santo Adrião, começada a construir em 27.07.1849 com o lançamento da 1ª pedra;  a Fortaleza de S. Fernando e a de Capangombe;  o Palácio do Governo; a Alfândega; o Hospital; o Matadouro; o Cemitério; o Obelisco a Sá da Bandeira; o Jardim da Colónia; já estava feito o traçado e os arruamentos;  a primeira ponte de caes; a estrada para Capangombe. 


Gravura com edificio da Alfândega e Telheiro

 
Gravura com edificio da Alfândega de Mossãmedes e Telheiro, do livro " CAÍQUES DO ALGARVE NO SUL DE ANGOLA ", de ALBERTO ÍRIA.
A ALFÂNDEGA DE MOÇÂMEDES TINHA SIDO CRIADA POR DECRETO DE 18/02/1851, MANDADO SUSPENDER EM 1854, PERANTE A CONSULTA DO CONSELHO ULTRAMARINO DE 19/O6/1953. O GOVERNO GERAL AO MESMO TEMPO QUE QUE PUBLICAVA A ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DA PROVÍNCIA, POR DECRETO DE 07/11/1856 ( MOÇÂMEDES, HUILA, BUMBO E GAMBOS ) , PELA PORTARIA DE 492, 02/03/1857, ESTABELECER A ALFÂNDEGA DE MOÇÂMEDES, CUJO PORTO FICAVA ABERTO AO COMÉRCIO DOS NAVIOS DE TODAS AS NAÇÕES...- ALFREDO DE ALBUQUERQUE FELNER


Foto preciosa: Edificio da Alfândega de Moçâmedes, vendo-se em frente os telheiros onde ficavam arrecadadas as mercadorias, em plena Avenida, e também a linha férrea por onde deslizavam as vagonetas mo seu vai-vem entre a ponte, o Piquete da Guarda Fiscal e o edifício
O edificio da Alfândega de Moçâmedes é tão antigo que vem representado nos mais antigas fotos, gravuras e postais que se consegue encontrar da cidade...

Seguem fotos bastante antigas da cidade

 Rua da Praia do Bonfim, paralela à Avenida, e panorâmica geral

 Rua da Praia do Bonfim, paralela à Avenida, vista de cima
 Rua da Praia do Bonfim, paralela à Avenida



Neste tempo as ruas eram iluminadas a oleo de peixe, nomeadamente óleo baleia extraido numa fábrica de noruegueses na Praia Amélia , dedicados à captura de cetáceos
Numa rua de Moçâmedes. Esta bela foto de um tempo anterior ao automóvel e ao comboio, talvez já doo limiar do século XX, mostra bem como em Moçâmedes desde a fundação em 1849-50, se fixou e desenvolveu uma determinada burguesia, ainda que restrita, em grande parte originária do Brasil /Pernambuco, e que para ali se deslocou após a independência da colónia braseira, fugindo à onda anti-lusitana que então se desenrolou.
João Chagas, jornalista exilado em Moçâmedes, dizia na sua obra "Diário de um Condenado":
 "...Mossâmedes  não sendo uma colónia próspera , não fornecia borracha, marfim,  cera, café, produzia em comparação belas e saudáveis crianças que toleravam o sol ardente, e o interior das casas  da população branca, pintadas a cal, oca, anil, e vermelhão mantêm quadros e móveis tradicionais dos interiores das famílias portuguesas."
 A ter em conta que a colonização de Moçâmedes foi algo paradigmático, ela começou apenas e só apenas quando o anterior modelo fundado no tráfico de escravos negros para o Brasil e Américas começou a declinar, após a independência daquela colónia, que fizera atrasar Angola em seu proveito, portanto, após a publicação do decreto da abolição do mesmo tráfico, em 12 de Dezembro de 1836,   esse mesno tráfico que fizera emergir em Benguela e em Luanda,  uma burguesia mulata, saída da fusão entre negros e alguns brancos, e que teve no vil negócio a grande colaboração de negros dirigidos por sobas locais.  reconversão económica e da mão de obra disponível, e a fixação em Angola de familias vindas da Metrópole. 

Rua dos Pescadores, onde se vê as traseiras da Alfândega, à esq. e à dt o edificio da família Mendonça Torres e o edificio à dt que foi loja de Castro Silva , mais tarde dos Ilhas.

Ria das Hortas