quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Edificio do Cabo Submarino





Edifício do Cabo Submarino, também conhecido por

«Chalet da Companhia Telegraphica»




Este belo edifício,  marco de uma época na história da colonização portuguesa de Angola, foi demolido na década de 1950, juntamento com o Observatório Metereológico, outra bela construção dos tempos idos de Moçâmedes, com significação histórica, reflexo da falta de sensibilidade no campo da cultura dos povos.

Foi no ano a seguir à Conferência de Berlim (1884-1885), quando potências industrializadas europeias voltaram seus interesses para África visando a exploração daquele vasto, rico, quase desconhecido e não explorado, o que levou Portugal a seguir o mesmo percurso preparando-se para assegurar ali o seu domínio, em tempos de difícil locomoção.

A telegrafia sem fios, as linhas de telégrafos e os cabo submarinos, eram de importância capital para as comunicações entre a África e a Europa, e entre as diferentes regiões da África central e austral, com especial realce para o telégrafo morse,  o grande ganhador das comunicações. Assim peocedeu-se à ligação entre Luanda e a Cabo da Boa Esperança, tocando Moçâmedes e Benguela insindo-se o facto no princípio da ocupação efectiva dos territórios africanos apenas para os países com meios para os ocupar. 
 
Foi um acontecimento que promoveu na consciência colectiva portuguesa o apego ao Império colonial, e acima de tudo a  intenção de o defender e consolidar, numa época em que interesses coloniais germânicos se faziam sentir (1880), relacionados com a ampliação da sua esfera de influência ao norte do Cunene, nos territórios situados ao norte da catarata de Ruacaná. Era um tempo de enorme desenvolvimento tecnológico e industrial em todo o mundo, sobretudo no velho continente e nos EUA. Centenas de colonos, sobretudo da Madeira partiram em 1884 e 1885, para contrabalançar no sul de Angola, região do Lubango, a influência considerada «desnacionalizadora» dos boers ali fixados algum tempo antes. Na mesma altura Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens deram início à exploração entre a costa e o planalto da Huila, e através do interior até Quelimane, estabelecendo a desejada ligação por terra entre as costas de Angola e de Moçambique. 
 

Qual a importância desta construção?


Neste edifício, intimamente ligado à colonização do sul de Angola, em relação ao qual se desconhece quem o projectou, bem como a data precisa da sua construção, funcionou a partir do último quartel do século XIX, uma Central de Comunicações por cabo telegráfico submarino(1) que fazia a ligação de Moçâmedes à cidade do Cabo, na África do Sul, e às cidades de Luanda e Benguela no território de Angola.

Vejamos o que a este respeito nos diz a obra 
 
"Os Portuguezes em Africa, Asia, America, e Occeania": Obra classica, Volumes 7-8

"...A 9 de julho de 1884 fez o governo um contracto provisório com o conde Okaska para o estabelecimento de um cabo submarino que ligasse a ilha de S. Vicente de Cabo Verde com a ilha de S. Thiago, esta com Bolama e Bissau, ilha do Principe, S. Thomé e Loanda. N'esse mesmo anno se estabeleceu a ligação entre a ilha de S. Vicente e de S. Thiago. Os contractos de 1885, ampliando o primitivo, ligaram ainda telegraphicamente Loanda com Benguella, Novo Redondo e Mossâmedes, e esta ultima povoação com o Cabo da Boa Esperança. No caso da empreza estabelecer cabo submarino para o Estado Livre do Congo, obrigou-se a ligar essa estação telegraphica com a margem portugueza do Zaire. O governo garantia á empreza um trafico de 165 contos annuaes, durante vinte e cinco annos. Este cabo que não só liga telegraphicamente todas as possessões portuguezas da Africa Occidental, mas cinge a Africa toda com a sua rede, está funccionando já, realisando assim e ampliando a aspiração infructifera de Andrade Corvo manifestada em 1876."
 
 
 
 
 
Apenas um breve resumo. Para saber mais, ver AQUI

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