domingo, 27 de maio de 2018

Moçâmedes no tempo do transporte em boi-cavalo e dromedário comprado nas Canárias...

Subindo a Chela, no tempo do boi-cavalo e do dromedário comprado nas Canárias

 
O boi-cavalo


Dromedários




O camelo, ou melhor o dromedário, era por volta de finais do sec. XIX , inicio XX, na região de Moçâmedes, o meio de transporte mais solicitado nas travessias do deserto, preferido mesmo em substituição dos carregadores, por levar mais carga,  por ser de menor preço, e por estar dispnível, sem sujeitar o comércio e a agricultura a contingências da vontade e relações humanas, de que resultavam prejuízos e despesas. Estes animais  eram adquiridos nas Canárias e aclimaram-se bastante bem à região de Moçâmedes, e sendo uma variedade da raça primitiva do norte de Africa,  conseguiam  trilhar terrenos montanhosos, subir a Chela até à  Chibia, transportar uma carga de até 450 kg, enquanto um carregador em viagem demorada não levava mais de 30 k. 
Com a Fortaleza de S. Fernando ao fundo...





Em 1915, no Lubango, a descarga dos camelos que transportaram o material militar e viveres desde o seu desembarque em Moçâmedes, para as forças  do Batalhão Expedicionário de Marinha que avançam sobre o Sul de Angola. (Foto de Alberto de Castro)
 
 
 
 
 Moçâmedes podia também contar com caravanas de estilo boer puxadas por juntas de bois , mas se  exceptuarmos a linha férrea de Luanda a Cazengo, e a carreira fluvial do Quanza, de Luanda ao Dondo, feita com dois pequenos vapores, em quase toda a Angola o comércio e a agricultura estavam à época sob a dependência das caravanas de "carregadores" , situação problemática sobretudo em tempos de guerras gentílicas, conflitos com a autoridades, intervenção dos sobas que fechavam caminhos, proibiam o negócio nas suas terras, assaltavam, aprisionam, saqueavam as comitivas estranhas e desviavam as correntes comerciaes, etc.
De entre os "carregadores" salienta-se os  bangalas nos sertões de Luanda, os bienos e os bailundos nos sertões de Benguela e os mondombes, em Moçâmedes. Eles monopolizaram os transportes pelas vias comerciais que cruzavam os seus países, em detrimento de quaisquer outras comitivas, impunham-se como únicos intermediários entre os centros comerciais da costa e os centros produtores indígenas; é o que, por imprevidência nossa, está sucedendo em maior escala na Lunda, onde os bangalas, ciosos das suas prerrogativas de intermediários do comercio e senhores dos portos do Kuango, não permitem a passagem para oeste aos undas e kiokos, nem para leste aos comerciantes. 
Para mais informação: "Exploração geografica e mineralógica no Districto de Mossâmedes em 1894-1895. (apenas o texto).  Ver também :Portugal em Africa: revista scientifica, Volume 5. Ano 1898
 

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